Grupo LGBT recoloca bandeiras do arco-íris que prefeitura havia retirado do largo do Arouche

Por Gays & Afins
Bandeira hasteada no Arouche por grupo LGBT (Chico Felitti, Folhapress)
Bandeira hasteada no Arouche por grupo LGBT (Chico Felitti, Folhapress)

“Eu beijo homem, beijo mulher, tenho direito de beijar quem eu quiser”

Em vez do Hino Nacional, dezenas de LGBTs cantavam palavras de ordem como essa quando hasteavam duas bandeiras do arco-íris em postes do largo do Arouche na noite do domingo (9).

A cerimônia era um protesto do Coletivo Arouchianos contra a retirada de sete bandeiras com as cores que representam a comunidade, e haviam sido instaladas no Arouche pela prefeitura em 28 de junho, no Dia do Orgulho LGBT.

Dezenas de ativistas recolocam a bandeira LGBT, tirada pela prefeitura (Chico Felitti Folhapress)
Dezenas de ativistas recolocam a bandeira LGBT, tirada pela prefeitura (Chico Felitti Folhapress)

Após um abaixo-assinado para que as bandeiras ficassem lá definitivamente reunir mais de 5.000 assinaturas, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos afirmou à época que a homenagem seria definitiva, e que estava em seus planos hastear bandeiras em outras vias da vizinhança. Duas semanas depois, sumiram as bandeiras.

“Estamos aqui homenageando todo o sangue que foi derrubado. Toda a opressão que a gente sofreu e sofre, pra poder botar a cara no Sol, poder dizer ‘Eu sou viado'”, disse o ativista Rodrigo Costa, que trepou no poste com a ajuda de uma escada, sem ter de tirar o salto alto abotinado para isso.

Bandeira colocada (e retirada) pela prefeitura (Foto Divulgação)
Bandeira colocada em junho (e retirada semanas depois) pela prefeitura (Foto Divulgação)

A manifestação aconteceu durante um evento de dança, com apresentação de coreografias de música pop sobre salto alto.

“Nós somos umas bichas loucas que batem o cu no chão. Mas também temos um cérebro que vai pensar em cultura e em como lutar. Porque a gente está morrendo. Se não é você, é um amigo seu”, disse  Costa, o mestre de cerimônias da noite, quando convidou as pessoas para o acompanharem no hasteamento.

 

O ativista Rodrigo Costa sobre, de salto, no poste para hastear a bandeira (Chico Felitti Folhapress)
O ativista Rodrigo Costa sobre, de salto, no poste para hastear a bandeira (Chico Felitti Folhapress)

Havia apreensão de que a polícia militar fosse intervir, o que não aconteceu. “Mesmo que daqui a três dias alguém tire essa bandeira, seja a prefeitura ou um LGBTfóbico, ele vai ter tirado só a bandeira, não as nossas cores”, disse o ativista.

Na manhã da segunda, as bandeiras ainda estavam no Arouche. Procurada pelo blog, a prefeitura não respondeu por que tirou as bandeiras que havia hasteado e o que planeja fazer com as flâmulas dos ativistas.

(CHICO FELITTI)